TV Jaguá News

Postado em 19/01/2024 às 10:15:00

compartilhar

Mudança no WhatsApp pode facilitar difusão de fake news eleitoral, alertam especialistas

Mudança no WhatsApp pode facilitar difusão de fake news eleitoral, alertam especialistas

O WhatsApp anunciou, nesta quarta-feira (17), aprimoramentos em suas funcionalidades que, segundo especialistas consultados pela Folha, podem aumentar a propagação de desinformação durante as eleições de 2024. As novas características permitem o envio unidirecional a um número ilimitado de usuários em canais, com a possibilidade de até 16 administradores, além de introduzir recursos como mensagens de voz, enquetes e compartilhamento de cards no status, similar aos stories do Instagram.

A introdução dos canais ilimitados de membros no Brasil em setembro de 2023, segundo os especialistas, amplifica os desafios no combate à disseminação de fake news e deepfakes, especialmente durante o período eleitoral. Pedro Gueiros, pesquisador de direito e tecnologia no ITS (Instituto Tecnologia e Sociedade) do Rio de Janeiro, destaca que, embora as melhorias tecnológicas sejam inevitáveis, é crucial reforçar mecanismos para que as pessoas possam distinguir notícias confiáveis.

Gueiros propõe o fortalecimento de sinalizadores que indiquem mensagens potencialmente desinformativas, bem como o redirecionamento para páginas de verificação. Rafael Viola, professor em direito civil e tecnologia do Ibmec do Rio de Janeiro, enfatiza a falta de clareza nos mecanismos de controle adotados pelo WhatsApp para coibir a desinformação. Ele questiona como a plataforma pretende identificar a adulteração de vozes e destaca a necessidade de novas regulamentações que evitem censura prévia.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) expressou preocupação com a propagação de fake news nas redes sociais nas eleições municipais de 2024. A crescente sofisticação das tecnologias em 2023 facilitou a criação de deepfakes, levando o TSE a discutir uma minuta de resolução sobre propaganda eleitoral, que aborda a manipulação de conteúdo por bigtechs.

Apesar do Projeto de Lei das Fake News, que estabelece obrigações para redes sociais e serviços de mensagens privadas, estar estagnado na Câmara dos Deputados, o TSE continua suas iniciativas de regulamentação. Ana Bárbara Gomes, diretora do Iris (Instituto de Referência em Internet e Sociedade), alerta para a possível maior capacidade de organização de grupos para disseminar desinformação com as recentes mudanças no WhatsApp.

Ela ressalta, no entanto, que as alterações também podem ser benéficas para agências de notícias verificarem informações falsas. A Meta, dona do WhatsApp, afirmou que está trabalhando próximo aos checadores de fatos e forneceu ferramentas para oferecer informações atualizadas sobre potenciais notícias falsas. A empresa destaca que os usuários têm controle sobre os canais que seguem e encoraja a verificação de fatos em fontes confiáveis, além de cooperar com autoridades locais, incluindo o TSE, dentro dos limites da legislação brasileira.

 

 

 

Fonte: TV Jaguá News - Jucelino castro

Comentários 0

Para comentar o internauta precisa está cadastrado e logado.

LOGAR CADASTRAR

“Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem.”

Veja também